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17/05/12
Poluição sonora nas ruas
O Litoral Norte parece se transformar num museu das imbecilidades da engenharia de tráfego nacional. Desde normas de velocidade em lugares incompatíveis, até projetos, como o primeiro retorno na reta a Caraguá, onde o retornante é jogado no meio da pista de alta velocidade, ou o incrível sinal de PARE, na rodovia, ao chegar em Caraguá, para que caminhões possam fazer seu retorno para dentro da pista sem serem molestados, numa rodovia interestadual.
Dai, se faz duplamente necessário que nó, cidadãos, nos posicionemos sobre as interferências que os órgãos públicos fazem sobre o nosso espaço, o espaço comum. Também não custa lembrar que quando houver um acidente no retorno da pista, a discussão da culpa se fará em torno do que vinha e do que voltou, sem colocar no meio o autor do projeto irresponsável que jogou um contra o outro.
Também nesse item se inclui o projeto de ciclofaixa no setor leste da cidade. A boa iniciativa de se estender a ciclofaixa, reivindicação antiga dos moradores da cidade, carece ainda de sua finalização, e do aprimoramento de detalhes. A questão dos pontos de ônibus, aonde poderia ser estudada a instalação de ilhas, com os ciclistas rodeando o ponto por dentro, o projeto para um uso ordenado do centro, de pedestres, ciclistas e automóveis, eventualmente se criando uma área só para pedestres, e a interligação das duas faixas para bicicleta, a leste e oeste da cidade, e a questão da velocidade máxima no perímetro urbano, são algumas delas.
Convenhamos que ir para a cidade na ciclofaixa, ter ao seu encontro à esquerda uma bicicleta voltando, e à sua direita dois caminhões em ultrapassagem, em alta velocidade, e você precisando passar no meio, é uma boa definição de terror.
Por isso, é necessário que se reduza a velocidade do trafego para 30 km/h nas áreas urbanas. Que o acesso à cidade está sobrecarregado há anos, e pouca coisa tem sido feita para resolver isso, não é novidade. Ainda na reunião do Tebar para a discussão sobre o impacto sobre o meio ambiente causado pela implantação do porto de conteineres, ficamos sabendo que a avaliação desse impacto vai desde trilobitas, protozoários, até baleias, mas na hora de se estudar o impacto sobre os seres humanos, animais também, a direção do porto afirma que isso seria objeto de outro estudo, como se o impacto de centenas de caminhões diários carregando conteineres sobre o nosso já sobrecarregado sistema viário não fosse consequência da instalação do porto de conteineres em São Sebastião.
Volto a lembrar de minha sugestão dos anos 80, de se fazer um túnel de acesso de 6 km de Caraguá até os fundos do Guaecá, e de lá pelo Buraco do Caiçara aos fundos do terreno da Petrobras.
Enquanto que na Suíça se desenvolve a ideia de fazer um trem de alta velocidade para atravessar o país, totalmente subterrâneo, aqui se olha para um túnel como se fosse um milagre da engenharia. É’ claro que a alternativa de se fazer um acesso pelas alturas, com túneis e pontes sobre terrenos instáveis, e brindando a cidade com o barulho e a vista incessante de caminhões passando é um desastre urbanístico, além de um desafio de custo de construção.
Como o garçom que fica tonteando a azeitona do Martini, para que o cliente bêbado possa
espetá-la com tranquilidade, paro de tontear sobre essas generalidades para espetar o assunto: está mais do que na hora de controlar o ruído causado pelas motocicletas na área urbana. Não tem sentido que um sujeito sobrecarregado de testosterona compre uma moto com silenciador, e para anunciar a sua presença, como um atobá que infla o saco vermelho sob o bico para facilitar a sua reprodução, tire o escapamento original infernizando a vida de todos os outros.
É uma agressão ao ouvido de todos, aqueles que moram perto das rodovias, e aqueles que estão circulando por elas. Isso é uma atitude criminosa, de tolerância inaceitável por parte das autoridades. Quero ao fim dessa carta então pedir às autoridades, prefeitura e polícia rodoviária, que lancem uma campanha, primeiro de esclarecimento, e depois de coerção, assim como foi feito com o uso de capacetes, para regular e coibir o uso de motos com o escapamento alterado.
Mike Buser por email, São Sebastião
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